Todo reforço que chega ao nosso time do coração ou que é promovido
das divisões de base são cercados de expectativa e esperança de que possam
construir uma longa história no clube, tornando-se ídolo da torcida e parte da
história da instituição. Porém, isso pouco acontece.
A grande minoria de fato acaba se tornando esse ícone, e é
cada vez mais raro ver jogadores por inúmeras temporadas com a mesma camisa.
Mas ainda existem as exceções, ou existiam.
Vários grandes ciclos de conquistas e vários anos de clube
tem chegado ao fim nos últimos tempos. Lampard deixou o Chelsea, Gerrard deixou
o Liverpool e agora Casillas deixou o Real Madrid, esse justamente o tema do
texto.
O goleiro espanhol ganhou tudo e mais um pouco pelo time
merengue. Se manteve por vários anos no topo, ou entres os tops, mas quando desejamos
que os ídolos fiquem por muito tempo no clube devemos saber que uma hora a idade
vai chegar e o nível não vai ser o mesmo. A torcida do Real Madrid não liga
muito pra isso. Parece querer que Casillas mantenha o seu auge até dizer que
vai pendurar as luvas, o que não aconteceu.
Seu nível decaiu demais, e a torcida não o perdoou. Não se
lembrou das inúmeras vezes em que ele a salvou. Não se lembrou de todos os anos
em que ele se doou ao máximo pelo clube. Vaiou, xingou, pediu a saída. Coisas
que há alguns anos atrás eram inimagináveis.
Esse é o preço que se paga por passar tanto tempo no
topo e de repente cair de produção. Mas deveria ser?
O ídolo merece tratamento diferente, merece mais paciência,
mais carinho e principalmente mais apoio. Obviamente essa relação varia de torcida para
torcida. Até mesmo entre os torcedores merengues existem ideias e maneiras
diferente de lidar com a situação do lendário goleiro espanhol. Mas a própria
diretoria deu exemplo de como não tratar um ídolo. Até agora sem despedida, sem grandes homenagens (Deve acontecer mês que vem, em amistoso contra o Porto). Pareceu até que negociaram um jogador qualquer, e não um jogador do tamanho de Iker para o clube.
Até onde vai a idolatria? Será que um ídolo é tão dependente da parte técnica, ou é muito mais do que isso? Você que apoiou o seu grande jogador nos bons momentos, vai o apoiar nos ruins?
Certo é que esses ídolos tendem a ser cada vez mais raros no futebol, e que
amanhã, vão fazer uma tremenda falta, já que estando bem ou mal tecnicamente, eles só deviam estar
ali, representando a torcida dentro de campo.


